Sua igreja tem uma cultura ou apenas programas de discipulado?

a group of people sitting at a table

Uma igreja pode ter pequenos grupos, microgrupos, cursos e uma jornada de formação bem estruturada e, ainda assim, continuar com a mesma cultura de antes.

Esse é um dos desafios quando falamos sobre igrejas discipuladoras: confundir mudança de estrutura com mudança de cultura.

A CULTURA É MAIS PROFUNDA QUE A ESTRUTURA

No podcast com Hilquias e Elcimar, surge uma imagem simples e útil: a cultura se parece com uma cebola.

Na camada mais externa estão as coisas mais fáceis de enxergar e também de mudar: programas, estruturas, costumes, ministérios e atividades.

Mas, nas camadas mais profundas, estão os valores. Aquilo que realmente acreditamos, admiramos, celebramos e priorizamos.

Por isso, uma igreja pode criar estruturas favoráveis ao discipulado e ainda continuar sendo guiada, no fundo, por uma cultura de eventos, desempenho e visibilidade.

COMO DESCOBRIR A CULTURA REAL DA IGREJA?

Talvez a melhor maneira não seja começar pelo que está escrito na visão ou no planejamento estratégico. É olhar para a vida cotidiana da comunidade.

Observe três coisas:

  • Para onde vão o tempo e os recursos da igreja?
  • O que costuma ser celebrado nas conversas e nos testemunhos?
  • Que tipo de pessoa recebe reconhecimento e se torna referência?

Essas perguntas ajudam a revelar o que a igreja realmente valoriza.

Há ainda uma pergunta especialmente reveladora: o que as pessoas fazem quando ninguém manda fazer?

É aí que a cultura aparece. Porque cultura não é apenas aquilo que ensinamos. É aquilo que uma comunidade passou a considerar normal.

Hilquias e Elcimar também chamam atenção para um risco: importar para dentro da igreja os critérios de sucesso da cultura ao redor. Número, fama, desempenho, visibilidade e recursos podem se tornar, sem percebermos, nossas principais métricas.

Mas a pergunta continua sendo mais profunda:

Estamos formando discípulos?

A MUDANÇA COMEÇA NO PASTOR

Quando percebemos que alguma coisa precisa mudar, nossa tendência é perguntar imediatamente:

“O que vamos fazer na igreja?”

Talvez a primeira pergunta devesse ser:

“O que precisa mudar em mim?”

Se queremos desenvolver uma cultura de discipulado, o pastor não pode apenas ensinar sobre discipulado. Ele precisa continuar sendo discípulo.

Isso toca agenda, prioridades, relacionamentos, uso do tempo, recursos e a própria filosofia de ministério.

Antes de transformar a cultura da igreja, o discipulado precisa começar a transformar a cultura pessoal de quem lidera.

No podcast, esse processo é comparado ao aprendizado de um novo idioma. Conhecer conceitos é importante, mas fluência exige convivência, prática e imersão.

Da mesma forma, uma capacitação pode ajudar a igreja a repensar o discipulado, mas não cria cultura sozinha. O que foi aprendido precisa ser vivido.

CULTURA NÃO SE LANÇA. CULTURA SE VIVE.

Um programa pode ser lançado em uma reunião. Uma cultura é construída ao longo do tempo.

Ela começa a aparecer quando o discipulado deixa de ser apenas uma atividade da igreja e passa a influenciar a maneira como líderes organizam a agenda, investem recursos, formam pessoas, celebram histórias e compreendem a missão.

Por isso, talvez a pergunta final não seja:

“Nossa igreja tem um programa de discipulado?”

Mas:

“Se alguém observasse nossa igreja por um ano, concluiria que formar discípulos realmente é uma das coisas que mais valorizamos?”

Esta reflexão nasce da conversa com Hilquias e Elcimar sobre processos de mudança na igreja, cultura de discipulado e a importância de começar com o pastor.

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