Voltar para casa: aprender a viver do descanso do Pai

white book near mug

Por Ilaene Schuler

Talvez você esteja cansado porque insiste em fazer  o que Deus quer fazer por você. A relação com Deus e a  vida de fé não começa e não se baseia no que você faz,
mas no que você recebe.

Entre todas as parábolas dos evangelhos, a do filho pródigo ( Lucas 15)  talvez seja a ilustração mais clara da maneira como Deus deseja relacionar-se conosco. Nela, Jesus revela não apenas o coração do Pai em relação ao pecado, mas, sobretudo, aquilo que verdadeiramente O alegra no âmbito da redenção.

Quando o pai declara: “Mas nós tínhamos que comemorar e alegrar-nos” (Lucas 15:32), Jesus nos conduz ao centro do coração de Deus. O que produz alegria no Pai não é o filho mais velho, que trabalha sem cessar e vive preso à lógica da obrigação. A alegria do Pai está no filho que permite que Ele faça tudo por ele. Não naquele que insiste em dar, mas naquele que se dispõe a receber.

Ao retornar para casa depois de desperdiçar seus bens e forças numa vida dissoluta, o filho pródigo não encontra palavras de recriminação. O pai não menciona o passado, não contabiliza perdas, não exige reparações. Ele não se entristece pelo que foi perdido, mas se alegra profundamente pela oportunidade de gastar ainda mais com o filho que voltou.

Deus é tão rico que Sua principal alegria consiste em dar. Suas câmaras de tesouros estão tão repletas que Lhe causa tristeza quando recusamos a oportunidade de permitir que Ele derrame sobre nós as riquezas que preparou. A alegria do pai foi ver o filho vestido com a melhor túnica, recebendo o anel, calçando sandálias e sendo honrado com um banquete. A tristeza foi perceber que o filho mais velho jamais se posicionou para receber.

Há, sim, tristeza no coração do Pai quando insistimos em fazer coisas para Ele como se dependesse de nós. Deus é riquíssimo, absolutamente soberano e plenamente capaz. Sua alegria está em permitir que Ele nos dê  e continue a dar sem cessar. Ele deseja ser eternamente aquele que faz por nós, não aquele para quem tentamos provar valor por meio do esforço.

Se pudéssemos enxergar quão rico Ele é, quão grandioso Ele é, deixaríamos em Suas mãos a tarefa de dar e de fazer. Muitas vezes tememos que, se pararmos de tentar agradar a Deus, nosso bom comportamento deixará de existir. Perguntamo-nos se, ao interromper nossos esforços e entregar tudo em Suas mãos, os resultados não seriam piores. Mas essa lógica nos devolve à lei.

Quando procuramos fazer por nós mesmos, mesmo nossas melhores obras tornam-se “obras mortas”, incapazes de produzir vida. Na parábola, ambos os filhos estavam distantes das alegrias do lar do Pai. Um estava longe geograficamente; o outro, embora em casa, estava preso às próprias boas obras. Seu coração nunca encontrou descanso.

Por isso, o convite do evangelho é claro: pare de “dar” e você descobrirá que Deus gosta de dar. Pare de “trabalhar” e perceberá que Deus trabalha por você. O filho mais novo estava errado, mas voltou para casa e arrependido encontrou descanso. É exatamente aí que a vida cristã começa.

Como afirma o apóstolo Paulo: “Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou… nos fez assentar nas regiões celestiais, em Cristo Jesus” (Efésios 2:4,6).

Que hoje seja o dia em que decidimos voltar para casa, nos assentar à mesa do Pai e viver não mais do esforço, mas da confiança no Deus que nos dá tudo.

Baseado no livro “As Três atitudes do Cristão” de Watchman Nee.

Ilaene Schuler é discípula de Jesus, esposa, missionária e coordenadora do Instituto IIFD  do qual o ministério Igrejas Discipuladoras faz parte. Atua no Brasil e na América Latina servindo igrejas por meio do Movimento Igrejas que Intencionalmente Fazem Discípulos (IIFD).

pt_BRPortuguês do Brasil