“Conheço as suas obras” – Apocalipse 2.2

Alguns leem o livro de Apocalipse com uma curiosidade inútil e superficial. No entanto, essa revelação nos foi dada com propósitos morais e espirituais elevadíssimos. Não para especularmos a respeito do fim, mas para confirmarmos o triunfo de Jesus e de sua igreja.

A Visão do Triunfo de Cristo

Em Apocalipse 19:7, João tem a magnífica visão do casamento do Cordeiro e sua noiva. O casamento, no contexto judaico, acontecia em quatro fases: Contrato, Preparação, Procissão e Bodas. Considerando esse aspecto cultural, a noiva de Cristo está na fase de preparação. Nosso Amado foi preparar-nos lugar e voltará para nos buscar, a fim de que estejamos com Ele.

Cristo e Sua Relação com a Igreja

No capítulo 1 de Apocalipse, João tem a visão do Cristo ressurreto em sua forma gloriosa. Mesmo assunto aos céus, Jesus mantém uma estreita relação com sua Noiva. Ele caminha entre as sete igrejas e se corresponde com elas para que se mantenham fiéis e se ataviem para as bodas.

As Sete Igrejas e o Padrão das Cartas

As sete igrejas que receberam essas cartas são representativas das demais da província da Ásia e também da igreja de Cristo em todos os tempos e lugares. A mensagem dessas cartas se mostra sempre atual e relevante. A estrutura das cartas segue um padrão: Apresentação, apreciação, reprovação, orientações e promessas. Jesus faz um raio-x da igreja: Seus olhos são como chama de fogo e perscrutam o que há de bom, elogiando o que merece elogio, mas também apontando os erros que precisam ser corrigidos.

Diagnóstico das Igrejas

  • Elogios: Esmirna e Filadélfia
    • Elogios e correção: Éfeso, Pérgamo, Tiatira e Sardes
    • Correção: Laodicéia

    Um diagnóstico correto feito precocemente pode diminuir as sequelas causadas pela doença e facilitar o tratamento. Certamente, Jesus é o único remédio para os problemas das igrejas, mas as doses terapêuticas para cada uma delas são diferentes. As características de Cristo, apresentadas em cada carta, respondem aos desafios específicos de cada igreja local.

Jesus, o Médico da Igreja

João não foi orientado a escrever uma carta única para as sete igrejas, mas sim uma personalizada para cada contexto. A solução e a estratégia de Deus para uma comunidade podem não servir para outra. O diagnóstico deve preceder a estratégia, pois um diagnóstico errado ou a falta dele pode nos levar ao pragmatismo ativista. A saúde de uma igreja depende de sua fidelidade ao propósito de Deus.

Obras e Resultados

Jesus afirma que conhece as obras das igrejas. Obra é sinônimo de trabalho árduo, mas o noivo não conhece apenas o que fazemos, ele vê o resultado daquilo que fazemos. É possível que uma comunidade local se ocupe o ano inteiro com atividades e eventos espetaculares e, mesmo assim, não agrade a Deus. À igreja de Pérgamo o Noivo afirma que sabe onde ela vive, numa cidade tomada pela idolatria. Apesar disso, espera que sua igreja seja testemunha fiel nesse contexto hostil.

Critérios de Cristo para a Igreja

Jesus conhece nossas obras (contexto interno = pontos fortes e fracos) e também onde estamos inseridos (contexto externo = oportunidades e ameaças). Precisamos ter uma imagem realista da igreja, não baseada em nossa própria ótica, mas nos critérios de Cristo. Há igrejas que possuem fama de estarem vivas, mas estão mortas. Outras parecem pobres, mas são ricas. Por outro lado, há igrejas tão pobres que só possuem dinheiro. Em muitos lugares, a igreja tem ‘um quilômetro de largura, mas um centímetro de profundidade’. Não podemos medir saúde apenas pelo número de batismos ou eventos, mas pela qualidade dos discípulos.

Esperança e Promessas

A verdadeira saúde da igreja é avaliada por critérios qualitativos, como a maturidade dos discípulos e sua semelhança com Cristo. Há uma palavra de esperança para a igreja: ‘Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas’. As promessas aos vencedores apontam para um futuro glorioso. Sejamos igrejas discipuladoras!

por Elcimar Fernandes

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