No início, Deus trabalhou… Ou seja, o trabalho está presente desde a origem da humanidade e ao contrário do que algumas pessoas acreditam, o trabalho não é fruto da “queda”, não é uma maldição para penalizar o homem e a mulher.
O trabalho fazia parte do paraíso e por meio dele, Deus nos trouxe o exemplo de trabalho e de descanso. Deus se alegrou no trabalho da criação; tudo era tão bom e belo. Na narrativa bíblica, o trabalho era colaborador do amor. As tarefas eram realizadas pelo homem e pela mulher em parceria com um Deus gracioso. Era frutífero, prazeroso e indolor para todos, pois tinha sentido e o propósito de glorificar a Deus.
A “Queda” se deu quando Adão e Eva desobedeceram a Deus e comeram do fruto proibido. Em Genesis 1, a partir do versículo 14, Deus cita as consequências desse pecado. Na Bíblia a Mensagem, em Gênesis 1:17-19 “E disse ao Homem: … Até mesmo a terra será amaldiçoada por sua causa. Tirar o alimento da terra será tão sofrido quanto o parto da Mulher; você sofrerá para trabalhar durante toda a sua vida. A terra produzirá espinhos e mato, e, para você, será penoso conseguir alimento. Você vai plantar, regar e colher, vai suar na lavoura, de manhã cedo até bem tarde, até que você volte para a terra, morto e enterrado; você começou como pó e como pó também acabará.”
Após a “Queda”, o trabalho se tornou infrutífero, pesado e sem sentido. Os espinhos e as ervas daninhas nos trouxeram mais trabalho do que conseguimos realizar, seja pela falta de habilidade quanto pela resistência externa. Estamos sujeitos muitas vezes a estruturas que não queremos, a atividades que não vemos propósito, a patrões que não desejamos, a jornadas exaustivas, a áreas em que não estamos bem encaixados ou para as quais sequer estamos treinados, e isso nos frusta e nos adoece.
O pecado é o que torna o trabalho difícil. W. R.Forrester afirma que “O homem deveria ser jardineiro, mas, em razão de seu pecado, tornou-se lavrador ”.
Larry Bukett, no livro negócios a luz da bíblia, nos traz 5 sintomas de escravidão profissional, onde o trabalho se torna um ídolo: 1) ar de superioridade; 2) excesso de trabalho; 3) uso excessivo de crédito; 4) desorganização; 5) mentalidade de enriquecimento rápido.
O excesso de trabalho aliado à pressão e a falta de propósito e de descanso tem gerado muitas doenças ocupacionais como stress, ansiedade, depressão, crise de pânico e burnout. Prova disso, é que uma Pesquisa realizada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) publicada em 2023 afirma que o Brasil é líder mundial em transtornos de ansiedade, acometendo 26,8% dos brasileiros.
Deus continua trabalhando e nos criou para trabalhar. O trabalho é uma necessidade básica das pessoas, nos torna úteis, nos habilita a servir ao próximo, seja dentro ou fora do lar, nas empresas, no ministério, no trabalho remunerado ou não remunerado. O local em que trabalhamos ou a nossa profissão não define quem somos, nem mede o nosso sucesso.
Tudo o que temos é presente de Deus, então podemos ser esposas ou mães, profissionais no mercado de trabalho, vocacionadas no ministério, mas, por mais importantes que sejam essas condições, são papeis que terminam nesta vida. Continuaremos por toda a eternidade como filhas de Deus e irmãs daqueles que foram resgatados por Cristo.
E parafraseando João 5:17 disse-lhe Jesus: “Meu Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando”… E nós, filhos e filhas do Pai continuaremos trabalhando e também descansando, pela graça dEle para glória dEle, redimidos por Jesus Cristo.
Por Emanuele Oliveira Solyom




