Discipulado na Vida – 18/11/2021
Curso: Restauração
Módulo: Batalha Espiritual – Conhecendo o Inimigo
Estudo 5.4.4: Terceira estratégia de Satanás: medo
O que provoca medo em você? Esta é a primeira pergunta do nosso estudo de hoje. O medo tem várias origens: pode surgir diante do perigo – quando alguém nos ameaça física ou emocionalmente. Também quando nossa autoestima está em xeque e nos sentimos incompetentes ou rejeitados. Talvez situações vivenciadas no passado, geraram raízes e traumas não resolvidos que nos paralisam até hoje. O medo pode vir de conflitos internos, com outras pessoas e até mesmo de quem amamos.
E então: o que provoca medo em você? E como podemos tratar este sentimento, que pode ser uma estratégia de Satanás contra nós? É sobre isso que vamos falar em nosso Discipulado na Vida de hoje.
Estamos no Módulo Restauração da Bíblia de Estudo do Discipulado, estudo número 4, chamado Terceira Estratégia de Satanás: Medo.
O estudo traz uma excelente definição de Medo: é o desejo sufocante de nos esconder, defender-nos ou fugir de algo (ou alguém) que nos incomoda ou nos ameaça. O medo sufoca. Diminui nosso interesse, atração e energia. Decidimos não fazer coisas que, se não estivéssemos amedrontados, faríamos. O constrangimento que o medo nos traz pode ser saudável, soando como um alerta da possibilidade de nos machucar física ou emocionalmente. Mas, precisamos discernir quando começa a se tornar maléfico para nós.
Não fomos criados para andar sob medo. Nossa estrutura não aguenta os efeitos deste sentimento por muito tempo. O medo não resolvido tem consequências, como: depressão; desgaste emocional; esgotamento; isolamento; bloqueio emocional e perda de contato com a realidade.
O medo facilmente se torna pecaminoso, pois quando somos tomados por ele, começamos a duvidar do caráter de Deus. Somos tentados a pensar que nossos problemas são maiores do que o amor e poder d’Ele. Fugimos para dentro de nós mesmos e não para Deus. Ao invés de encontrar esconderijo n’Ele, criamos nossos próprios esconderijos, defesas ou estratégias de autopreservação. Isso tem sido comum desde Adão e Eva, que fugiram e se esconderam no jardim do Éden.
Alimentamos nosso medo, e junto com ele, ódio, ressentimento, amargura. Ficamos remoendo nossos problemas e ansiedades, ao invés de levá-los para Deus. Nos nutrimos mais das perspectivas humanas sobre nossos ‘direitos’ do que da perspectiva d’Ele.
Neste sentido a Bíblia nos faz um alerta. Em 1Pedro 5.7, lemos: “Lancem sobre ele [Deus] todas as suas ansiedades, porque ele cuida de vocês.” No versículo seguinte o apóstolo escreve: “Sejam sóbrios e vigilantes. O inimigo de vocês, o diabo, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar.”
Satanás quer nos travar e paralisar. Para isso tenta nos fazer sentir distantes do amor de Deus, que tira todo o medo, conforme diz 1João 4.18. Quando estamos tomados pelo medo ou a ansiedade, nos distanciamos da fé. Distantes da fé, nos tornamos mais vulneráveis espiritualmente. Se não lançarmos nossa ansiedade e apresentarmos nossos medos diante de Deus – nos refugiando no cuidado do Pai, estaremos expostos aos ataques do inimigo.
Tratar o medo envolve pelo menos três etapas: entender, expressar e resolver.
Entender
Devemos inicialmente compreendê-lo: discernir se o medo é racional, exagerado ou irracional. O medo racional é normal e saudável, nos protege de algo perigoso, como falei anteriormente. Nesse caso, podemos até agradecer a Deus por nos alertar quanto a necessidade de fugir, nos defender ou nos esconder n’Ele.
Já o medo exagerado é baseado na realidade, mas é desproporcional ao nível de perigo que nos ameaça. Depois de uma situação traumática de fragilidade ou violência, o medo nos leva a querer nos proteger, mas, facilmente somos tomados por um medo exagerado, disfuncional, que nos paralisa, tirando nossa energia para nos defender.
O terceiro tipo de medo, o medo irracional, não tem base na realidade da qual estamos conscientes. É ter medo de algo que não existe. Por exemplo: o não entrar em um quarto escuro por medo de fantasmas.
Precisamos aprender a identificar nossos medos para então os vencê-los. Isso inclui descobrir as raízes dele para destruí-las.
Expressar
Após este processo de entender, precisamos expressar. É muito importante expor o que estamos sentindo sem acusar outras pessoas como responsáveis por nossas emoções. Temos que nos responsabilizar por elas e encontrar o ambiente onde podemos expressá-las livremente. Isso pode ser feito através de um grupo de apoio, um grupo de discipulado, um amigo, enfim, onde nos sentimos mais confortáveis e confiantes. O importante é encontrar alguma forma de externar o que está escondido. Sem se expressar, será difícil passar para o terceiro passo: resolver o medo.
Resolver
Muitos medos se baseiam em mentiras ou meias verdades vindas de Satanás, da carne (nossas feridas) ou do mundo. Essas mentiras precisam ser desvendadas. Expressões negativas que falamos para nós mesmos, geralmente, não são verdadeiras e não vêm de Deus.
Entendendo seu medo e a raiz dele, entregue-o a Deus. Se a raiz do medo for profunda, você pode precisar de aconselhamento psicológico e de cura emocional por meio da oração de uma equipe de restauração. Dependendo da profundidade da raiz ou das raízes, o aconselhamento e a cura podem demorar. Mas, certamente, Deus trará alívio e libertação no decorrer deste processo.
Quando nosso medo é pecaminoso, demonstrando falta de confiança em Deus, precisamos nos arrepender. É preciso reconhecer que preocupações e ansiedade são uma expressão de medo. O quebrantamento de nosso coração é parte integral da restauração.
Um versículo anterior ao que nós lemos sobre lançar nossas ansiedades diante de Deus, está escrito:
“Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido” – 1 Pedro 5.6.
Em resumo, nosso medo precisa ser entendido, expressado e resolvido, senão, pode acabar nos destruindo e contagiando outros ao nosso redor, especialmente nossos familiares. Dentro da cura, experimentamos o amor fundamental do Pai e podemos então passar o mesmo para as pessoas ao nosso redor. Resolva seu medo, para que não contagie ou destrua outras pessoas, especialmente as mais próximas.
Aplicação
A partir deste estudo fui levado a verificar raízes que ativam gatilhos de medo e ansiedade em mim. A partir do que identifiquei, desejo expressar ao meu grupo de discipulado para receber oração, aconselhamento e acompanhamento.
Um dos medos que eu como pastor enfrento é o de não agradar a todos. Como líder, tenho a tentação de querer que todos gostem de mim e trabalhar para manter sempre uma boa imagem. Isso traz ansiedade e muitas vezes gera a tentação pela omissão para evitar confrontos. Preciso da graça de Deus para valorizar as pessoas, mas nunca negociar princípios por causa deste medo de ser rejeitado.
Fiquei impactado e fui muito ministrado por Deus, através dos versículos 7 e 8 de Jeremias capítulo 17. O texto diz:
“Bendito aquele que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, porque as suas folhas permanecem verdes; e, no ano da seca, não se perturba, nem deixa de dar fruto.”
Entendo que preciso estar cada vez mais enraizado em Deus e em Seu amor, que lança fora todo o medo. Para isso, quero me comprometer ainda mais com meu período devocional, investindo tempo de qualidade.
Que este estudo seja um instrumento de Deus para levar você e seu pequeno grupo a experimentar cura de todo medo e restauração profunda.
Um grande abraço!
Marcelo Ramiro é pastor na Igreja Metodista em Campinas/SP. Faz parte da equipe de Comunicação dos ministérios Homens Mentores e Mulheres Mentoras.
Referências:
Bíblia de Estudo do Discipulado. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, 2019.




