Pais, digam aos seus filhos que eles são pecadores

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Nós, da Igrejas Discipuladoras, temos uma preocupação constante com as próximas gerações e com a forma como estamos transmitindo a elas uma fé realmente centrada no evangelho. Por isso, compartilhamos a seguir uma tradução livre de um artigo de Mike McGarry que nos convida a refletir sobre um tema essencial para pais, líderes e igrejas: como ajudar crianças e adolescentes a compreenderem sua necessidade de Cristo. Vale a pena ler até o final, porque o texto não termina na realidade do pecado, mas nos conduz à graça, ao arrependimento e à esperança que encontramos em Jesus.

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PAIS, DIGAM AOS SEUS FILHOS QUE ELES SÃO PECADORES

Meu filho estava encrencado, de novo.

Tinha sido um dia muito bom, mas as coisas começaram a desandar. Ele estava correndo pelo corredor com a irmã, só que ela não estava correndo rápido o suficiente. Como ela estava na frente dele, ele decidiu “tirá-la” do caminho. Ela chorou. Eu gritei. Depois, mandei-o para o quarto.

Depois de me sentir culpado por ter gritado com raiva, fui encontrá-lo no quarto, deitado de bruços na cama, chorando. Eu sou burro, ele disse. Eu nunca tomo boas decisões. Eu sempre faço a coisa errada. Ela é sempre tão legal comigo e eu sempre a machuco. Mas eu não consigo evitar!

Não acho que essa situação seja exclusiva da minha família. O desprezo que meu filho sentia por si mesmo estava mais intenso do que o normal, mas a graça de Deus tem muito a dizer aos nossos filhos em momentos como esse.

PERDENDO A OPORTUNIDADE

Eu precisava tomar uma decisão. Poderia dizer a ele que deveria se esforçar mais e que faria melhor da próxima vez. Ou poderia acreditar que ele realmente não conseguia evitar aquilo.

Como cristãos, cremos no pecado original. Nossa natureza pecaminosa corrompeu, embora não tenha eliminado, a imagem de Deus em nós. Desejamos mais a nossa própria glória do que a glória de Deus. Queremos controlar mais do que servir. Preferimos o prazer ao sacrifício. Ouvimos mais a nós mesmos do que ouvimos a Deus.

Naquele momento, e em outros semelhantes, lembrei meu filho de que ele é pecador. Ele pecou contra a irmã ao derrubá-la. Pecou contra os pais ao ignorar a orientação deles para diminuir a velocidade. Pecou contra o Senhor ao colocar a si mesmo em primeiro lugar.

Esse incidente não foi uma grande tragédia. Ele derrubou a irmã, e ela ficou bem. Mas esse não é o ponto. O ponto é que faz parte da natureza do pecado exigir: “Eu primeiro!”. E foi exatamente isso que ele fez.

Enquanto conversávamos sobre o pecado dele, lembrei-o do evangelho. Deus enviou seu Filho, Jesus, para morrer na cruz para que pudéssemos ser perdoados dos nossos pecados. Porque fomos perdoados, devemos viver de maneira diferente — não para conquistar sua aceitação, mas a partir da aceitação que já recebemos dele. Dizemos não a nós mesmos e sim a Deus porque ele nos ama e está nos tornando mais semelhantes a ele. E, quando nos parecemos com Cristo, o mundo vê um vislumbre da grandeza de Deus.

Se eu me recusar a dizer aos meus filhos que eles são pecadores, estarei abrindo mão de uma oportunidade de comunicar a graça do evangelho.

IMUNIZADOS CONTRA A GRAÇA

Como pastor de jovens, uma das minhas maiores preocupações é a salvação dos “filhos da igreja”. Muitos parecem ter sido “imunizados” contra o evangelho por duas coisas: sua própria justiça e sua familiaridade com as Escrituras. Quando não existe uma necessidade pessoal de confissão e arrependimento — porque eu não me enxergo como pecador — o evangelho perde sua bondade e se torna uma mensagem apenas para os outros.

Como pais, não podemos construir sobre um fundamento que nós mesmos ainda não construímos. Quando confessamos nossos pecados aos nossos filhos, estamos reconhecendo aquilo que eles já sabem: mamãe e papai são pecadores que precisam desesperadamente de Jesus. Se não estivermos dispostos a dar exemplo de confissão, estaremos dando exemplo de justiça própria. Estaremos, de maneira sutil, apontando para a nossa própria bondade sem dar crédito ao Espírito Santo, que é quem nos santifica.

Quando não ensinamos nossos filhos sobre o pecado, estamos, na verdade, tornando mais difícil para eles se tornarem cristãos. Sem o conhecimento da própria culpa, não pode haver confissão de pecado nem profissão de fé. Mas, quando ensinamos nossos filhos sobre sua natureza pecaminosa, eles ficam mais preparados para, em oração, voltar-se para Deus em busca de força e ajuda para resistir à tentação.

DÊ A ELES AS BOAS-NOVAS

Se queremos que nossos filhos conheçam Cristo e o amem, precisamos dizer a verdade sobre quem eles são. Eles são seres humanos criados à imagem de Deus, mas cativos ao pecado. Lembre-se: o evangelho é uma boa notícia. Proclame o poder de Deus para a salvação. Demonstre a esperança que vem por meio do arrependimento e da fé, tanto na salvação quanto na santificação.

Quando converso sobre esse assunto com pais — mesmo aqueles relativamente maduros na fé — muitas vezes tenho a impressão de que estou dizendo algo radical. Oro para que isso não seja verdade, pois esse deveria ser um princípio básico de uma criação de filhos centrada no evangelho.

Isso significa que devemos começar a apontar cada pecado que nossos filhos cometem e gritar “pecador!” para eles? Claro que não. Em vez disso, devemos buscar, em oração, coragem e sabedoria para falar a verdade do evangelho à vida deles à medida que Deus abre oportunidades. Isso envolverá dizer a eles que são pecadores. Envolverá dizer como Deus ama pecadores. Envolverá dizer como Deus salva pecadores.

Se não houver más notícias, não precisaremos das boas notícias. Precisamos dizer aos nossos filhos ambas as coisas.

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Mike McGarry (DMin) é pastor de jovens da South Shore Baptist Church, em Hingham, Massachusetts, e é apaixonado por traduzir doutrina sólida para a próxima geração. É autor de A Biblical Theology of Youth Ministry e Lead Them to Jesus, além de colaborador de Gospel-Centered Youth Ministry. É fundador do Youth Pastor Theologian e coapresentador do podcast Thanos to Theos. Você pode encontrá-lo no Twitter em @RevMcGarry.

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